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quarta-feira, 27 de junho de 2012

PRÊMIO AO SACRIFÍCIO


"Três irmãos dedicados a Jesus leram no Evan­gelho que cada homem receberá sempre, de acordo com as próprias obras, e prometeram cumprir as lições do Mestre.
      O primeiro colocou-se na indústria do fio de algodão e, de tal modo se aplicou ao serviço que, em breve, passou à condição de interessado nos lu­cros administrativos. Dentro de vinte e cinco anos, era o chefe da organização e adquiriu títulos de verdadeiro benfeitor do povo. Ganhava dinheiro com imensa facilidade e socorria infortunados e sofredores. Dividia o trabalho equitativamente e dis­tribuía os lucros com justiça e bondade.
      O segundo estudou muito tempo e tornou-se juiz famoso. Embora gozasse do respeito e da estima dos contemporâneos, jamais olvidou os com­promissos que assumira à frente do Evangelho. Defendeu os humildes, auxiliou os pobres e libertou muitos prisioneiros perseguidos pela maldade. De juiz tornou-se legislador e cooperou na confecção de leis benéficas e edificantes. Viveu sempre honrado, rico, feliz, correto e digno.
O terceiro, porém, era paralítico. Não podia usar a inteligência com facilidade. Não poderia comandar uma fábrica, nem dominar um tribunal. Tinha as pernas mirradas. O leito era a sua residência. Lembrou, contudo, que poderia fazer um serviço de oração e começou a tarefa pela humilde mulher que lhe fazia a limpeza doméstica.
Viu-a triste e lacrimosa e procurou conhecer-lhe as mágoas com discrição e fraternidade. Confortou-a com ternura de irmão. Convidou-a a orar e pediu para ela as bénçãos divinas.
Bastou isto e, em breve, trazidos pela servidora reconhecida, outros sofredores vinham rogar-lhe o concurso da prece. O aposento singelo encheu-se de necessitados. Orava em companhia de todos, oferecia-lhes o sorriso de confiança na bondade celeste. Comentava os benefícios da dor, expunha suas esperanças no Reino Divino. Dava de si mes­mo, gastando emoções e energias no santo serviço do bem. Escrevia cartas inúmeras, consolando viú­vas e órfãos, doentes e infortunados, insuflando-lhes paz e coragem. Comia pouco e repousava menos. Tanto sofreu com as dores alheias que chegou a esquecer-se de si mesmo e tanto trabalhou que per­deu o dom da vista. Cego, contudo, não ficou so­zinho. Prosseguiu colaborando com os sofredores, através da oração, ajudando-os, cada vez mais.
Morreram os três irmãos, em idade avançada, com pequenas diferenças de tempo.
Quando se reuniram, na vida espiritual, veio um Anjo examinar-lhes as obras com uma balança.
O industrial e o juiz traziam grande bagagem, que se constituía de várias bolsas, recheadas com o dinheiro e com as sentenças que haviam distri­buído em benefício de muitos. O servidor da prece trazia apenas pequeno livro, onde costumava escre­ver suas rogativas.
O primeiro foi abençoado pelo conforto que es­palhou com os necessitados e o segundo foi tam­bém louvado pela justiça que semeara sabiamente. Quando o Anjo, porém, abriu o livro do ex-paralí­tico, dele saiu uma grande luz, que tudo envolveu numa coroa resplandecente. A balança foi incapaz de medir-lhe a grandeza.
Então, o Mensageiro falou-lhe, feliz:
— Teus irmãos são benditos na Casa do Pai pelos recursos que distribuíram, em favor do próximo, mas, em verdade, não é muito difícil ajudar com o dinheiro e com a faina que se multiplicam facilmente no mundo. Sê, porém, bem-aventurado, porque deste de ti mesmo, no amor santificante. Gastaste as mãos, os olhos, o coração, as forças, os sentimentos e o tempo a benefício dos semelhantes e a Lei do Sacrifício determina que a tua moradia seja mais alta. Não transmitiste apenas os bens da vida: irradiaste os dons de Deus.
E o servidor humilde do povo foi conduzido a um céu mais elevado, de onde passou a exercer au­toridade sobre muita gente". (Neio Lucio, Alvorada cristã, p. 25)

Esta mensagem, pela sua clareza,
 dispensa qualquer comentário.


segunda-feira, 18 de junho de 2012

SABER CRER


"Crer não é apenas aceitar. É conhecer, é discernir o melhor, conquanto os
sentimentos do amor também façam parte nas escolhas. O espírito é um mundo
de anseios, e só gradativamente vamos conquistando as realidades compatíveis
com a nossa própria estrutura espiritual.
A fé é um patrimônio sagrado que herdamos da vida. É uma lei universal
configurada no livro de Deus, da verdade constituída, de onde promanam a
esperança e a alegria. Se aceitamos a fé que pode encarar frente a frente a razão,
não poderemos deixar de aceitar a fé que desconhece outros ângulos, pois toda fé
é útil na escala a que pertence.
Se uma religião combate o tipo de fé de outra, é por não estar segura da sua. Se
uma pessoa julga seu semelhante, por não comungar consigo nas mesmas lides
espiritualistas, é por duvidar do caminho por onde transita. Todos os processos
são bons, onde eles se afiguram.
Saber crer é a razão na sua mais alta classificação de valores.
Apesar disso, é necessário que haja maturidade na alma. Cada espírito encarnado
ou desencarnado vive em uma faixa diferente, e o que pode ser bom para um
pode não ser para o outro. Vejamos as diferenças de um chofer comum, de
automóvel, na Terra, para um astronauta em uma cabine espacial. As exigências,
de um diferem das necessidades do outro, por trabalharem em planos
completamente diferentes.
Assim, onde quer que estejamos, a inteligência nos adverte que é mais proveitoso
saber crer, para um rendimento maior. O esforço é de cada individualidade, no
certame do aprimoramento. Quem labora para melhor está em oração, sem, em
muitos casos, o perceber. No entanto, a ajuda de Deus não se faz esperar. Atinge
o coração de boa vontade, por todos os meios disponíveis.
A persistência no bem é proporcionada pela fé. Se achais que não a possuís,
procurai-a, que deve estar escondida nas veredas dos sentimentos, em forma de
planta mirrada ou semente minúscula, e cuidai dela, com os cuidados com que
cuidaríeis do mais precioso escrínio da vida, pois ela é vida, ela é filha do amor,
ela é Deus palpitando em nós como Sol dos sóis.
A dúvida é a negação da fé. Cria no coração um vácuo turbulento de proporções
indescritíveis, que nos atormenta até que a certeza dos nossos ideais nos
proporcione o ambiente de paz imperturbável. Ninguém vive sem fé. Ela se divide
até o infinito. Se quereis saber o valor da fé, aumentai a capacidade de confiança
de que estais respirando um magnetismo puro, oriundo de fontes espirituais
elevadas, e sentir-vos-eis imediatamente envolvidos por um bem-estar indizível. É
a fé, que transportou todas as montanhas de divisões do amor com o ódio, abrindo
canais para que os céus adentrem pela Terra, restabelecendo todas as coisas.
Se quereis saber o poder da fé, confiai no amor de Deus para com seus filhos, e
pensai firmemente que estais servindo de instrumento, pelo qual as bênçãos do
Senhor podem atingir o enfermo que desejais. E logo vereis a cura ou o alívio da
pessoa que pretendeis auxiliar.
Vós e a vossa mente sois instrumentos divinos que, unidos, operarão maravilhas,
dependendo da educação que derdes aos vossos pensamentos, às vossas emoções. Essa é uma conquista na qual podereis levar tempo. Todavia, com a
prática, notareis que todos os dias avançareis um pouco e, a cada avanço,
notareis que a fé cresce na proporção em que cresceis com o amor.
Esforçar para crer é humano, e saber crer é divino. Mas o divino somente explodeno coração, libertando-o, pelo esforço próprio".  (Miramez, Horizontes da mente, p. 52).

Muitas vezes  a fé é confundida com religiosidade. Não bastam atitudes,demonstrações de religiosidade como jejuns, promessas, orações intermináveis
se não tiver confiança, certeza de se conseguir. É preciso ter convicção de que o pedido
será concedido. Deus, que habita em nós, conhece o nosso íntimo.